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A polêmica represa no Rio Ribeira (SP)

Brasil das Aguas
A cidade de Ribeira, encravada na Mata Atlântica.
25/04/2008 Após percorrer o rio Ribeira em 2006, no projeto Sete Rios, temos um carinho especial para esse belíssimo rio e suas paisagens excepcionais.


NOTÍCIA de 11 de Abril de 2008

Caros pesquisadores, cientistas e técnicos,

A Frente de Apoio ao Vale do Ribeira em São Paulo foi criada no dia 14 de março de 2008 para fortalecer o movimento em defesa do rio Ribeira de Iguape e para mostrar ao estado de São Paulo e ao Brasil que a manutenção deste, que é o último rio de médio e grande porte do estado de São Paulo que não apresenta barragem de Usina Hidrelétrica, é a melhor alternativa para o desenvolvimento social e para o equilíbrio ambiental da região. Esta articulação na capital paulista e em outras cidades se deveu em grande parte à repercussão que teve a manifestação do dia 12 de março, onde cerca de 400 pessoas ocuparam de forma pacífica o saguão da Superintendência do IBAMA, na cidade de São Paulo. Entre os presentes, estavam as comunidades quilombolas e caiçaras do Vale do Ribeira, além de diversos apoiadores e simpatizantes, que se somaram ao movimento.

Após 20 anos de resistência contra a construção desta barragem, os movimentos sociais e ambientais do Vale do Ribeira conseguiram furar o bloqueio que havia na grande mídia para esta questão, visto que o empreendimento citado é de iniciativa privada e interesse exclusivo da Companhia Brasileira de Alumínio, braço empresarial do Grupo Votorantim, cujo dono é o empresário Antônio Ermírio de Moraes, considerado segundo critérios financeiros, o homem mais rico do Brasil. Sua fácil circulação pelos grande conglomerados de mídia, aliado aos diversos anúncios da Votorantim em veículos como Veja, IstoÉ, Época, Folha de São Paulo, Globo e Estado de São Paulo, tem dificultado a divulgação mais ampla desta luta. Entretanto, a revista semanal Carta Capital publicou nas últimas semanas uma reportagem especial sobre o Vale do Ribeira e a Barragem de Tijuco Alto, apresentando a questão de forma honesta e ponderada. Esta e outras reportagens (baseadas no Estudo de Impacto Ambiental) esclarecem que não existe nenhum interesse público na construção desta barragem, já que ela enviaria energia unicamente para o complexo metalúrgico da empresa, na cidade de Alumínio, região de Sorocaba.

O Rio Ribeira de Iguape nasce no Estado do Paraná (município de Cerro Azul) e desemboca no estado de São Paulo (município de Iguape), sendo portanto, um rio federal. Ele passa por um singular trecho de Mata Atlântica, se avizinha de cavernas de importância turística, e nutre tanto os peixes do rio como as pessoas que dele dependem. Desta forma, qualquer alteração na vida deste rio, alterará a vida das pessoas, sem nenhum benefício público. Mesmo assim, o IBAMA (órgão licenciador) divulgou um parecer técnico favorável ao empreendimento, o que indignou os moradores do Vale representados pelos seus movimentos sociais. Esta posição dos técnicos do IBAMA foi um dos motivos da manifestação de 12 de março. Este protesto forçou um acordo entre estes movimentos e a presidência do IBAMA, que garantiu não emitir a Licença Previa até que sejam respondidos todos os questionamentos feitos pela população do Vale do Ribeira. Esta população vê no Ribeira muito mais do que um simples rio ou uma fonte inesgotável de recursos, mas sim equilíbrio ambiental e identidade cultural para a região. Além disto, suas populações ribeirinhas, quilombolas, indígenas e caiçaras têm outras visões e práticas de desenvolvimento, que não aquele a qualquer custo, mas aquele em direção a sustentabilidade ecológica.

Diante disto, solicitamos encarecidamente que leia essa Carta Aberta aos Pesquisadores. Além disso, é disponibilizada uma coletânea de links da internet, que podem ajudar o leitor a aprofundar a questão e se posicionar melhor acerca dela. Na Carta Aberta, um texto-base de apenas sete páginas, os diversos problemas e situações que motivam a resistência da população do Vale - e agora esta Frente de Apoio - são discorridos e detalhados de forma que os pesquisadores que ainda não conhecem a questão possam se posicionar a curto prazo, mas também se aprofundar de forma que seja possível emitir um parecer técnico-científico sobre a tentativa de construção desta Usina Hidrelétrica, a médio e longo prazo.

Agradecemos a sua atenção e pedimos que divulguem esta mobilização,
Atenciosamente,
FRENTE DE APOIO AO VALE DO RIBEIRA EM SÃO PAULO
Para saber mais, esreva para apoioribeira@gmail.com ou para apoioribeira@yahoo.com.br

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