Alto Araguaia (MT) / Sta Rita do Araguaia (GO)
De manhã, atravessamos a ponte centenária no Araguaia, construída pelo avô do Carlos, e colocamos o pequeno barco da expedição e mais 2 barcos no rio para subir (contra forte correnteza) os meandros do alto Araguaia. O trecho do rio entre as nascentes e as primeiras cidades (Santa Rita do Araguaia e Alto Araguaia, uma em cada lado da ponte da rodovia) é uma paisagem das mais belas. As águas azuladas do rio correm entre várzeas e terras mais secas, com uma vegetação e fauna abundantes. Com o aumento da conscientização sobre a importância da mata ciliar, ao longo do rio a maioria dos proprietários está deixando a mata crescer e proibindo a caça. Com isso, nossa subida do rio foi acompanhada pelos berros de araras, tucanos e papagaios que voltaram a encontrar um refúgio nas margens.
Feita a coleta de uma amostra de água para análise, voltamos para a cidade. À noite, seria realizada a apresentação do projeto na Praça da Bandeira em Alto Araguaia. Dentro do carro, estamos levando um projetor e um telão desmontável precisamente para sermos independentes e, em cidades menores, não depender de recursos locais para poder projetar as imagens do rio.
Além das apresentações, temos um pequeno questionário. Rejane entrevista várias pessoas na comunidade, perguntando o que acham do seu rio e a importância que ele tem na vida delas. As respostas são fascinantes. Até agora, na opinião da maioria dos entrevistados, o principal fator responsável pela deterioração na qualidade da água é o desmatamento nas margens e nas cabeceiras. Felizmente, isso deixou de acontecer rio acima dessas duas cidades e o resultado está na melhoria na cor das águas. Resta saber se, rio abaixo, as pessoas vão ainda culpar ações nas cabeceiras, ou se vão assumir que a responsabilidade da preservação do rio e a qualidade da água depende de todos que vivem ao longo dele e dos grandes rios que são seus afluentes.

