Chegada em São Félix do Araguaia
Todos saímos da nossa praia-hotel quase ao mesmo tempo - a lanchinha, o barco grande e o avião - e pela frente teríamos uma corrida da lebre e da tartaruga. No barco Piratinga, claro, é o mais lento, porém o piloteiro Luis Cláudio, que tem mais experiência do rio do que nós, acerta o caminho. Na lancha, bem mais baixa, tivemos dificuldade para encontrar o bom caminho entre os bancos de areia. Várias vezes, erramos feio e em uma ocasião, tivemos que desembarcar todos para arrastar o barco pela areia até o canal mais profundo. Sempre, nessas ocasiões, há risco de pisar numa arraia adormecida, escondida na areia.
Na parada para o almoço, onde todo o grupo se reencontrou, aprendemos sempre mais sobre o rio e as mudanças que ocorreram nos últimos 20-30 anos. Gaspar é uma grande fonte de informações e nas conversas sobre a pesca, achamos que pudesse ser interessante o Brasil adotar o sistema de controle de pesca usado na Argentina. Ali, um pescador amador compra seu 'passaporte' de pesca onde estão claramente definidas as épocas em que cada tipo de peixe pode ser pescado, POR BACIA. Não está generalizado, como no Brasil, mas cada espécie de peixe em cada bacia está representada. No Brasil, devido à vasta extensão e quantidade dos rios, precisaríamos de anos de estudo para produzir um documento tão completo, mas nem por isso devemos desistir da idéia. Nunca é tarde para melhorar. Todos agradeceriam.
Já era o final do dia quando nós, na lanchinha, finalmente alcançamos o cais de São Félix para pegar Gérard, que pousara desta vez em terra firme, no aeroporto. Em seguida, voltamos rio acima até a pousada Kuryala, de Gaspar e Salete, construída nas árvores e sobre palafitas. Um belíssimo lugar.

