Luís Alves (GO) - Algum lugar paradisíaco no Rio Araguaia (TO/MT)
Antes do nascer do sol, Gérard já estava de caminho de volta a São Miguel no Land Rover com a carreta vazia. Ele tinha que deixar o carro de novo na oficina do Zezé. Desta vez, não para algum conserto mas para "hospedagem" mesmo, a espera do Nataniel e Makoto que viriam de Brasília no final de semana. Eles vão pegar o carro e encontrar conosco em Caseara, Tocantins. O acesso rodoviário ao longo do trecho não existe, com a exceção de uma estrada que corta a ilha do Bananal e que somente é transitável em julho, com permissão da Funai. Portanto, tudo o que precisávamos para nosso trabalho e nos próximos eventos estaria dentro do barco ou no avião.
Além de deixar o carro na cidade, Gérard ia pegar o Sílvio na rodoviária. Sílvio estaria acompanhando o projeto durante uma semana para filmar o trabalho.
Naquela manhã, então, éramos três a seguir pelo rio de barco: Julio, Rejane e eu. Tínhamos pela frente um caminho longo, procurando uma passagem entre os bancos de areia que, a essa época do ano, aparecem cada vez mais. Raspamos o fundo arenoso várias vezes, tivemos que dar grandes voltas para achar o bom caminho. Tínhamos em mãos as coordenadas do nosso destino: uma praia onde encontraríamos com o barco Piratinga, da pousada Kuryala, que subiria o rio ao nosso encontro numa praia onde Gérard pudesse também pousar e todos ancorassem com segurança.
Finalmente, às 2.30 da tarde, avistamos o grande barco branco onde Gaspar nos esperava, com o avião estacionado na praia ao seu lado. Já no meio do rio, sentimos o cheiro de churrasco. Estávamos atrasados para o almoço mas valeu a pena. Do nosso ponto de partida, em linha reta seriam 90 km até essa praia, mas pelos meandros do rio, fizemos 165 km. A cada minuto, saboreamos paisagens espetaculares, o céu sempre azul refletido nas águas estreladas do rio. Já deixamos para trás o estado de Goiás e temos, na margem direita, estava a ilha do Bananal, no Tocantins. Em ambas as margens, a mata verde nos acompanha, as areias brancas surgem do rio, e os pássaros - socós, talha-mares, trinta-reis, biguás, ciganas, carcarás - registram nossa passagem aos gritos.

