Mapa SIG (GIS)
Resultados Hiparc
Cortesia Hiparc

Rio Ribeira
9/11 IGUAPE
Brasil das Aguas
Barra do Ribeira, na costa paulista. Foto Margi Moss
Enfim, conseguimos colocar o barco na água na rampa da marina de Registro! Num cenário que lembrava uma pintura japonesa - uma densa neblina deixando apenas aparecer os vultos das árvores na outra margem e a água do rio um espelho -, subimos rio acima até a confluência com o Rio Juquiá. A bordo estávamos Gérard, Natalie e eu, e nesse pequeno trecho também levamos o Alex, um jovem pescador que nos orientou pelo caminho para evitar dar alguma pancada nas pedras com a hélice. Alex estava assustado com o nível baixo da água. Além disso, teve duas queixas importantes: as toneladas de agrotóxicos jogadas nas bananeiras que vêm até a margem do rio e que ele culpa pela diminuição dos peixes, e as dragas de areia que mexem com o fundo do rio, aumentando a turbidez.

Voltando a Registro, deixamos Alex novamente na marina e seguimos os três rumo ao mar. O GPS, em linha reta, marcava uma distância de 38 km até Iguape, mas sabíamos que a distância real seria mais do que o dobro. Na vasta planície, o rio se contorna em dezenas de meandros bem fechados em sua busca para o caminho de menos resistência. A maior parte do trajeto, passávamos por fazendas de gado ou de banana, e alguns arrozais, e a falta de mata ciliar era gritante. Só nos últimos quilômetros antes de Iguape é que começou a aparecer um pouco de Mata Atlântica. E aí, que bela região. Apesar de estarmos desfrutando do primeiro dia ensolarado, o vento a bordo do barco era gelado: havia um anti-ciclone no alto mar que não deixava a temperatura subir. "Nunca imaginei sentir tanto frio no Brasil," Natalie brincava, encolhidinha.

Em Iguape, entramos um pouco no Valo Grande, um canal construído pelos fazendeiros no século 19 para encurtar o caminho até o mar e que resultou em alguns danos ambientais, inclusive enchentes, mas depois seguimos o roteiro tradicional do Ribeira até sua foz em Barra do Ribeira. As ondas, também em função do anti-ciclone, estava bastante altas e contraditórios: permanecemos então nas águas do rio. Tiago veio nos buscar com o reboque e logo antes de colocar o barco em cima, percebemos que uma das barras de ferro estava rachada. Assim, voltamos com o reboque vazio até Iguapé, e Gérard deu a volta novamente até Iguape, atrás da serra.

E Iguape, que cidade linda! Amei! A praça cheia de flores dominada pela imensa igreja com duas torres; as casinhas pintadas cada uma de uma cor diferente; a limpeza e cuidado com tudo. Parabéns, Iguape!

A última palestra da viagem aconteceu na beira-mar com uma grande platéia entusiasmada. Estávamos, naquele momento, a uns 450 km do encontro dos rios Ribeirinha e Açungui que formam o Ribeira. Quem vê a mansa amplitude do rio perto do mar não pensa no esforço feito pela água, vinda dos pequenos córregos nas montanhas distantes para chegar ali, tão convenientemente. Mas vale a pena pensar nisso. Porque se o rio está baixando, secando, algo sério está acontecendo rio acima. E olhe lá, nem começaram a construir as represas ainda.

 
 
Album
       


© Safari Air Emp. Ltda - Rua Dois de Dezembro, 38 - sala 210, Rio de Janeiro. CEP: 22220-040 | Tel: (21)-2205-9269
For System : Marfisa.org