Fim de expedição. Natalie volta amanhã para Inglaterra. Antes de ir embora, ela tem de conhecer Cananéia! Resolvemos ir no Land Rover pela Ilha Comprida, onde o único caminho é pela praia. Na Inglaterra, não tem isso de dirigir na praia! Gérard e eu já fizemos essa viagem há alguns anos. É um espetáculo, dirigindo naquela areia durona (pela maior parte), com o visual das ondas batendo a um lado, a restinga do outro, e a montanhosa Ilha do Cardoso surgindo à frente.
Mas, devido ao mesmo anti-ciclone no alto mar que nos fez sentir tanto frio ontem, não foi possível passar pela praia. O vento não estava deixando a maré descer o suficiente para passarmos. Tivemos que desistir e dar uma volta de 80 km para chegar a Cananéia pelo asfalto. Como Iguape, essa cidade parece parada no tempo. O centro histórico, com suas casas coloridas, reformadas, e o vaivém dos barcos pesqueiros no azulão do mar, cercado por mangues. Almoçamos contemplando tudo isso e relutando contra o relógio para começar o caminho de volta. À noite, teríamos que estar em Campinas. Depois do almoço, ficamos sentados na pracinha, absorvendo a tranqüilidade do local e adiando ao máximo a volta àquele caos de um grande centro urbano.
Difícil de ir embora do Vale do Ribeira. Vale que corta montanhas e planícies, passando por pequenas cidades e comunidades históricas que ainda não perderam seu charme... um vale tão perto de dois grandes capitais hiper-industrializados, mas que consegue ser quase esquecido. Ele, coitado, não é valorizado pelo que tem de mais belo, de mais diferente, de mais saudável, único e especial. Em vez de ser transformado num 'vale do Loire' brasileiro, ganhou o carimbo fatal de "propício para alagamento".

