Santa Teresinha (MT) - Caseara (TO)
Se ontem fizemos um longo trecho no rio, hoje tem mais ainda! São mais de 100 km apenas até a fazenda Santa Fé, no Pará, onde fomos convidados a almoçar. Depois, seria mais uns 40 km até nosso destino, Caseara, no Tocantins. Acordamos cedo e corremos para colocar todo o equipamento de volta no barco (fomos aconselhados a tirar tudo por falta de segurança - mesmo numa pequena cidade dessas!). Antes das 8h, já estávamos voltando ao canal do rio e em menos de 10 minutos, estávamos bem encalhados num trecho muito raso do rio. Depois, todos diriam "mas fulano de tal falou pra vocês voltarem e descerem o rio atrás da ilha...", só que nenhum de nós a bordo (Julio, Sílvio e eu) ouviu esse conselho. Ficamos uns 20 minutos insistindo, todos na água empurrando o barco pela areia, procurando um canalzinho que nos levaria ao grande rio. E conseguimos...
Depois disso, andamos super bem até, uns 30 km mais tarde, receber a visita do Talha-mar. Era quase 10 horas e um vento forte já estava tornando certos trechos do rio bem revoltos. O barco batia com força e ficava ainda mais difícil de ver onde ficavam os bancos de areia. Como Rejane não é muito fã de turbulência, Gérard pousou para que eu pudesse trocar de lugar com ela. Rejane seguiu no barco, eu subi no avião e fiquei encantada. De cima, os bancos de areia são tão óbvios que fica difícil imaginar como alguém na água não os vê. Ao mesmo tempo, fiquei aflita, vendo agora com tanta clareza as armadilhas que esperavam os colegas no barco e sabendo como é difícil decidir de que lado de uma determinada ilha seguir.
Mas deu certo, claro, e antes de meio-dia, o barco já estava chegando. Foi um privilégio ter grande almoço nos esperando, a convite de Marcos Mariani. Mas é bom não acostumarmos a essa idéia, que é uma exceção no nosso dia-a-dia. Como ainda tinha um bom pedaço de rio antes de chegarmos ao destino, Caseara, tivemos que comer e, muito sem graça, sair logo. Em Caseara, estaríamos reencontrando com o Land Rover, trazido de São Miguel por Natanael e Makoto, mas como não conseguimos contato com eles, pairava a dúvida se teriam conseguido chegar. Quando finalmente entramos no braço de rio que leva à cidade, demos com Gérard na pequena canoa vinda ao nosso encontro. Beleza, então, estaríamos sim todos reunidos na primeira cidade ao norte da Ilha do Bananal.
Ao aproximarmos do porto de Caseara, onde chega a balsa, vi que Julio reduzia cada vez mais a velocidade do barco. Caíra a ficha que era o último trecho do rio que faria conosco, tinha que voltar para São Paulo. Ele não queria chegar - Sílvio e eu também não, a luz da tarde era magnífica, o rio liso, a vegetação exuberante...
O porto fica a vários km da cidade. Ainda bem que carro e carreta nos esperavam. Foi uma correria para montar o telão para a apresentação, mas acertamos. O som da palestra foi maravilhoso, um sistema de ampliação à bicileta dirigida pelo sr. Izaquiel. A pracinha encheu espontaneamente e a participação demostrou, pela primeira vez, preocupação sobre a possibilidade de criar uma hidrovia no rio. Como essa proposta já fora derrubada pela população ribeirinha, pensávamos que o rio estava salvo dessa agressão. Mas será???

