Cocalinho (MT) - Bandeirantes (GO)
O coitado do Land Rover e a carreta estão sofrendo bastante com tantos quilômetros de estradas de terra esburacadas. Desde Barra do Garças, o asfalto tem sido uma raridade. Sem o peso da lancha acima da carreta, ela levanta do chão ao passar pelos buracos, e todo dia dá um trabalho para apertar parafusos e consertar o que quebrou. A caminho de Aruanã, o estepe da carreta foi pro espaço. Sortudo quem achar esse pneu zero km!
Rejane e Itanor sempre chegam ao destino tão empoeirados quanto o carro. Gérard e eu, pelo contrário, chegamos lavados pelo vento de 50 km/h na lancha. Se eles quicam pelos buracos, nós também levamos algumas pauladas ao 'bater' nos bancos de areia submersos, mas é até gostoso de parar encalhados no meio do rio. Passamos cada vez mais sinais da "temporada de julho" (é quando vêm os turistas - ouvi dizer que são mais de um milhão) que está chegando. Nas maiores praias e ilhas, há gente montando barracas, banheiros, restaurantes e palcos em preparação para a invasão. O ser humano é um bicho estranho mesmo. Sai da cidade em busca da natureza, mas não consegue curtir uma das melhores coisas que ela oferece: a paz. Invés disso, traz para o silêncio do rio toda a cacofonia urbana.
Uma das perguntas do nosso questionário é sobre o que o entrevistado considera como o maior poluidor do rio. Oferecemos a opção de Esgoto, Agrotóxico, Lixo, Desmatamento e Turismo. Rio acima, a maioria culpava o desmatamento. Agora, a resposta mais freqüente é Turismo mesmo.
Bandeirantes é uma pequena cidade, bem calma, no município de Novo Crixás. Subindo o barranco alto do porto, chegamos logo à praça onde fica o supermercado do sr. José Ribamar (o manda-chuva da cidade), o nosso hotelzinho (da Eliana) e a pequena igreja que oferecia uma parede perfeita para nossa projeção à noite. (Ficamos gratos por esse apoio da igreja, aqui como em Aruanã.) Foi um sucesso. A população se espalhou pelos bancos da praça e ficaram curtindo as imagens.

