O dia nasceu nublado, o que nos poupou do calor nas primeiras duas horas de navegação. Tiago estava seguindo sozinho no carro pela Estrada Parque, para encontrar conosco em baixo da ponte nova que cruza o Paraguai na rodovia que vai a Corumbá. Imaginávamos que a descida até lá seria rápida, no máximo três horas... mas ficamos distraídos pelo caminho, conversando com pescadores e peões de fazenda. Sem falar de às vezes simplesmente desligar o motor e deixar os sons do Pantanal ocupar o espaço merecido.
Foi um belo trecho do rio, as águas já estão menos barrentas porque se misturam com as mais escuras que estavam espalhadas nos pântanos e agora voltam ao leito do rio. Em muitos trechos, não há mata ciliar por se tratar de áreas naturalmente descampadas e que passam longos períodos inundadas.
Quanto mais perto chegamos à foz no rio Paraguai, mais apareceram as voadeiras dos pescadores. Estavam todos com suas varinhas de bambu esperando fisgar algo. Nas famosas ‘histórias de pescador’, sempre havia exagero no tamanho do peixe capturado. Com as regras de tamanho mínimo e a fiscalização mais atuante no rio, a história é outra: todos negam ter capturado algo.
Em nossa frente, surgia a Serra Urucum. Atrás, seria a cidade de Corumbá. Chegamos à foz no rio Paraguai, onde descia grande quantidade de aguapés. Descemos até a ponte onde o Tiago esperava na antiga rampa da balsa. Tiramos a lancha da água e chegamos em Corumbá às 14 h num calor de 37 graus com muita umidade. Não é a primeira vez que Sami, da Cia Náutica, vem à nossa ajuda. Precisávamos trocar a hélice da lancha, arrebentada ao bater num tronco submerso.
E, à noite, ainda num calor sem vento, montamos o telão na Praça da Independência e conversamos a alunos. Assim, a expedição pelo Miranda deveria terminar, porém ainda temos que voltar rio acima até Posto 21 para completar a coleta de amostras que não conseguimos fazer quando tivemos o problema com a carreta.

