Brasília-Barra do Garças-Cuiabá-Vila Bela... uma viagem e tanto! Apesar do foco dessa expedicão atual ser o rio Verde, no centro de Mato Grosso, esticamos o vôo até a pequena cidade histórica, de Vila Bela da Santíssima Trindade, nas margens do rio Guaporé. Isso porque o Guaporé será percorrido no mês que vem, e precisamos conhecer melhor o alto trecho do rio. Tivemos uma surpresa ao encontrar, não muito longe da nascente, uma grande represa que não consta ainda nos mapas e nem no Google Earth! É a UHE Guaporé, instalada num trecho do rio ainda pequeno.
O rio vem cheio de corredeiras, perdendo altitude, rumo à cidade de Pontes e Lacerda, onde encontra a BR-174 que liga Cuiabá a Porto Velho, passando por Cáceres e Vilhena. Nós seguimos o rio que, de repente, entra numa planície de palmeiras (do ar não deu para perceber a espécie) tão densas, que o rio às vezes sumiu. De toda forma, ele se espalha, formando múltiplos canais que fica impossível saber qual seria a calha principal do rio. Segue dessa forma quase até seu encontro com o rio Barbado, poucos quilômetros acima de Vila Bela da Santíssima Trindade.
Pousamos na pequena pista de terra ao lado de Vila Bela às 4h da tarde. Mario Friedlander, um fotógrafo e ambientalista que mora na cidade, veio nos encontrar. Em dois dias, ele e mais 10 pessoas vão sair numa expedição navegando o Guaporé até Pimenteiras do Oeste, pouco depois do limite estadual. Foi ótimo esse contato, Mario nos deu muitos conselhos sobre a região. O rio, da águas bem escuras, passa ainda por belas matas, mas a soja e a motosserra estão chegando cada vez mais perto de suas margens.
Vila Bela ficou esquecido no tempo. É um paraíso arqueológico. Em seus anos dourados, era capital do Mato Grosso e vivia em função do rio. Pelo rio, chegavam as pessoas e o material para sua construção, trazidos desde Belém de barco, subindo o Amazonas, o Madeira, o Mamoré e o Guaporé para chegar até aqui. Já pensou?

