Programa diferente pela manhã - um exemplo do turismo sustentável que traz renda para o Vale do Ribeira. Fomos conhecer uma das cavernas do PETAR (Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira), a Alambari de Baixo. Para isso, uma caminhada dentro da exuberante Mata Atlântica, berço de muitos riachos que alimentam o Ribeira. Impressionante como a mata densa consegue abafar os ruídos gerados pelo homem (barulho de motor etc.) mas amplifica os piados dos pássaros. Na caverna, é possível experimentar a sensação de silêncio total total, tão raro na superfície. Silêncio total mesmo respeitado pelo rio que desliza, sem fazer qualquer barulho, por dentro da caverna.
Iporanga é uma charmosa cidade colonial. Aparentemente, o homem branco chegou até aqui (atrás do ouro, claro) menos de 60 anos após a chegada do Cabral nas praias bahianas. Em 1756, também atrás de ouro, chegou uma expedição subindo navegando pelo rio, e nós nem conseguimos descer! Apesar do Ribeira já ser um rio de porte em Iporanga, ainda era impossível colocar nosso barco na água.
É um caminho cheio de pedras e bancos de seixos.
Então continuamos pela estrada, agora de asfalto e que acompanha a margem do rio, passando por pequenas comunidades e especialmente remanescentes de quilombos. Ao começar entrar nas regiões mais planas, aparecem os bananais, principal produto agrícola do município de Eldorado. Paramos de vez em quando para falar com ribeirinhos ou nas comunidades. Perguntamos o que eles acham da perspectiva de todo o que conhecem sumir em baixo das águas. Um senhor, agente de saúde, com quem falei me respondeu assim: "As barragens são boas para algumas pessoas e ruins para outras. Não vão mudar minha vida. Mas se são ruins para algumas pessoas, tirando tudo o que eles têm, então sou contra."
Em Eldorado, fomos muito bem recebidos pela prefeitura e a população. Montamos o telão na praça central da cidade. Com a mudança do horário do verão, não podemos mais projetar imagens às 19h, temos que fazer hora até escurecer e a praça foi enchendo aos poucos. Adoramos o alcance da espontaneidade da praça pública, longe da formalidade de um auditório. As pessoas que são tímidas demais para fazer perguntas no microfone, ficam à vontade para se aproximar depois.

