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Rio Araguaia
25/6 Foz do Araguaia
Brasil das Aguas
Nathanael e Makoto no exato ponto onde o Rio Araguaia (à dir.) encontra o Rio Tocantins (à esq.). Foto: Gerard Moss
Araguatins (TO) - Marabá (PA)

Rejane continua passando mal, sem condições de passar mais um dia ou na lancha, ou no carro. Saindo de Araguatins às 05.15, Nathanael e Makoto a levaram a Imperatriz para pegar um vôo de volta a Brasília. Quando voltaram, colocamos o barco no rio para a última etapa da viagem, até a foz do Araguaia na sua confluência com o rio Tocantins. Nathanael e Makoto atravessariam o rio na balsa e seguiriam para São João do Araguaia, pequena cidade paraense que fica rio abaixo da confluência. Lá, eles colocariam a canoa no água e viriam nos encontrar na foz. Assim foi o plano.

Gérard e eu seguimos mais uma vez pelo rio imenso mas com cada quilômetro, ficamos mais tristes de estarmos chegando ao final. Desde que passamos a navegar entre Pará e Tocantins, a ocupação das margens é cada vez maior. As paredes de floresta que desciam até a água agora cedem lugar para margens vazias, ou campos onde predominam os pés de babaçu. Sempre há pequenas casas na beira do rio - às vezes de alvenaria, às vezes simples palhoças - mostrando que o homem já é dono desse pedaço há muito tempo.

Foram 14 h quando, com coração apertado, chegamos à ponta afilada onde as águas do Tocantins, menos caudalosas e em menor quantidade, se encontram com o vasto escoamento do Araguaia. No encontro das águas, desligamos o motor e em seguida, fomos saudados por uma dezena de botos. Em poucos minutos, Nathanael e Makoto já vinham chegando e juntos passamos um bom tempo curtindo esse lugar incrível. Os botos brincavam conosco, saltando fora d'água ou subindo para respirar mas foi impossível tirar uma foto - a câmara estava sempre apontada na direção errada!

Até agora, não consegui ouvir uma justificativa para o rio, a partir deste ponto, levar o nome Tocantins quando o Araguaia é claramente o rio mais poderoso - sem falar do 'detalhe' de possuir a maior extensão.

Já estava na hora de continuar nossa viagem até Marabá para tirar a lancha da água. Nathanael e Makoto voltaram a São João onde o acesso estava bastante complicado pela grande quantidade de pedras. Mas, para surpresa nossa, o caminho até Marabá também estava bem pedregoso e tivemos que buscar bons caminhos pelos travessões. Já era quase na hora do pôr-do-sol quando alcançamos a cidade. Por ser domingo, a Praia do Tucunaré, que fica em frente à cidade, estava ainda bem lotada. Percebemos em seguida a enorme quantidade de lixo na beira do rio e em volta das pessoas sentadas nas mesas dos barraqueiros. Ficamos deprimidos com tanta desleixo. Como é que essas pessoas passam o dia sentados no meio de seu próprio lixo? E se já é assim em junho, como deve ser no calor da alta temporada em julho? De repente, fiquei feliz que o rio nesse ponto não se chama mais "Araguaia".

Deixamos o rio Araguaia, ainda esplêndido, menos injuriado, a 40 quilômetros de distância, rio acima.

 
 
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