Marabá (PA)
Antes de começar o longo caminho de volta a Brasília, resolvemos colocar o barco na água mais uma vez e dar uma volta pela praia que tanto nos decepcionou ontem. Felizmente, o trabalho de coleta de lixo já havia começado mas na praia em frente a alguns barracos, o lixo ainda estava espalhado em torno das mesas e cadeiras. Os barraqueiros disseram que a prefeitura apenas faz coleta de lixo em julho, época da temporada. Em outros meses, eles mesmos fazem a limpeza do local.
Continuamos nosso passeio pelo rio em frente à cidade até o bairro Francisco Coelho, a ponta da cidade que fica na confluência do rio Itacaúnas com o Tocantins. É um bairro extremamente pobre - uma favela, na verdade - onde, durante a cheia, as casas muitas vezes ficam alagadas. Agora, com o rio mais baixo, ficam a uns 4-5 metros acima do barranco. E adivinham o que cobria esses barrancos? Lixo. Na hora em que passavam, vi um saco de lixo voar pela janela de um casebre e cair no rio.
Paramos para conversar com uma senhora que estava lavando roupa na beira do rio. Por acaso, sra. Edna é presidente da associação dos moradores. Perguntamos sobre o lixo, supondo que não havia coleta no bairro. Para surpresa nossa, ela esclareceu que sim, havia coleta todos os dias. Porque, então, jogam o lixo no rio, prejudicando a própria saúde? "Ah, é a cultura do povo," ela diz tristemente. "Não é por falta de conscientização. Eles gostam de jogar no rio..."
Pelo jeito, não tem salvação mesmo. Mais cedo, no cais da cidade, vi um adolescente chegar à beira da água de bicicleta e arremessar um saco plástico de lixo para dentro do rio. Pergunto: o que inspira uma pessoa a sair de sua casa de bicicleta com o propósito de jogar lixo num rio quando ela poderia simplesmente colocar o saco em frente à sua casa para ser coletado pela limpeza urbana?
Essa cena, então, foi bem emblemática da situação. É a "cultura", ou a falta dela, dos marabenses.
Ficamos extremamente decepcionados com o que vimos nessa cidade. Nosso trabalho no belíssimo Araguaia já chegara ao fim. Estava na hora de volta para casa.

