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Rio Araguaia
15/5 Nascente
Brasil das Aguas
Gérard bebe água diretamente da nascente do Araguaia. Foto: Margi Moss
Nascente do Araguaia (Mineiros, GO) - Santa Rita do Araguaia (GO)

O friozinho de inverno acima da Serra deixou todos tremendo dentro dos agasalhos. Nada como o generoso café da manhã, preparado pela sorridente cozinheira da fazenda, para pôr todos no ritmo certo: seguir até a nascente no comboio de carros que agora contava também com Sr. Milton Fries e com Taís e Eudes, da TV Rio Claro, da Globo.

Primeira parada, a imensa voçoroca Chitalinho que virou ponto turístico há alguns anos. Pudemos constatar que, graças aos esforços e medidas tomadas pelo Sr. Milton, a voçoroca não avança mais. Foi totalmente contida pela construção de um murundum (espécie de alto 'muro' de terra batida que evita que as águas da chuva despencam para dentro da voçoroca, levando cada vez mais terra e provocando deslizamentos das encostas). No fundo, onde antes tinha apenas terra vermelha e parecia cenário de lua, hoje a vegetação já está voltando e dentro de poucos anos, a voçoroca vai simplesmente 'sumir de vista'(porém continuará existindo) dentro a cobertura vegetal.

Nos últimos 10 anos, Sr Milton foi comprando terras degradadas em volta a sua fazenda. Terras que, com o desmatamento radical e mau uso do solo, sem curvas de nível, provocam terríveis erosões e voçorocas. Com a chuva, a terra vermelha era levada até o rio, tornando barrentas as águas outrora cristalinas. Com o trabalho de contenção, replantio e proteção das nascentes, o Alto Araguaia voltou a ter águas azuis na época da seca e, mesmo nas chuvas, não corre mais vermelho.

Fazia quase 2 anos desde nossa primeira visita à nascente. Ficamos contentes de ver como a vegetação tinha aumentado em tamanho e volume, deixando ela cada vez mais escondida. Continua um milagre, aquela água cristalina brotando do nada, de pequeno poço com fundo arenoso que parece estar fervendo e que solta, de vez em quando, pequenas bolinhas de ar como se fosse, realmente, um ser vivo. Mas essa nascente, considerada a mais longe da foz, é apenas uma de milhares de outras nascentes que contribuem para a grandeza do Araguaia. Todas elas são importantes, todas elas merecem cuidados especiais. A natureza é tão generosa: não precisa de grandes esforços para recuperar uma nascente. É apenas deixar a vegetação nativa se regenerar (evitando o acesso de gado, por exemplo) e em 3 ou 4 anos, a água será mais abundante e mais limpa.

No final do dia, a caravana seguiu até Santa Rita do Araguaia, onde estávamos todos convidados na charmosa fazenda Santa Rita, do Sr. Carlos Salgueiro, dono de uma pequena pista de pouso de grama que tínhamos reparado do ar durante nosso levantamento aéreo do rio. A fazenda tem 110 anos e muitas histórias para contar, incluindo visita do JK em sua campanha à presidência.

 
 
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