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Cortesia Hiparc

Rio Ibicuí
16/04/07 São Vicente do Sul
Brasil das Aguas
Encontro do Ibicuí-Mirim com o Toropi. Foto Margi Moss
O sol da véspera tinha sumido. No seu lugar, uma espessa neblina matinal envolvia o dia. Na estrada em frente ao hotel, ouvíamos o barulho dos carros e caminhões muito antes do vulto deles se concretizarem em formas de veículos antes de sumir novamente no mundo branco, surreal. Tomamos nosso café quente, fascinados com esse fenômeno que evoca mistérios.

Luis Ernesto Elesbão, membro do Comitê da Bacia do Ibicuí, chegou ao hotel, chimarrão em mãos, trazido por dois amigos. Dono de um hotel fazenda perto de Manoel Viana, ele topou nos acompanhar navegando toda a extensão do rio. Seguimos logo mais para o Balneário Passo do Umbu, a 18 km de São Vicente, onde colocamos nossa lancha e a canoa do Elesbão no rio, perto de uma precária ponte de madeira. A força do sol já estava derretendo a frágil neblina, colorindo a paisagem em volta ao rio - as matas verdes e bancos de areia branca. As casinhas do balneário, a maioria de madeira, também pareciam acordar com o carinho do sol e seus moradores surgiram para tocar o dia.

Pelo GPS, o encontro dos rios Toropi e Ibicuí-Mirim, que formam o Ibicuí, estava a uns 35 km rio acima em linha reta, sem contar as curvas do rio. Conseguimos avançar muito devagar, porque em todas partes havia congestionamentos de troncos de árvores e árvores inteiras arrastadas pela correnteza. Havia chovido forte na semana anterior, felizmente para nós porque o nível da água no rio estava bem cheio. Porém, assim também a água estava mais barrenta, escondendo os troncos submersos. Batemos freqüentemente com a hélice em objetos invisíveis.

No Alto Ibicuí, a maior parte da mata ciliar vista desde o leito do rio parecia preservada, apenas em alguns trechos avistamos lavouras até a margem do rio. É natural que a força de água de um rio provoque erosão das margens, arrancando árvores, mas ficamos assustados pela quantidade de troncos que encontramos no leito. Será que as águas da chuva, menos absorvidas que antigamente pelas terras em volta onde brejos foram secados, chegam ao rio com violência descomunal, derrubando mais árvores que antes?

O rio é extremamente sinuoso e navegamos ** km até chegar no encontro do pequeno Ibicuí-Mirim, que mais parece um córrego surgindo da mata fechada (seria quase impossível navegar nele), com o Toropi, bem maior. No ponto do encontro, havia uma bela praia onde paramos para esticar as pernas e coletar as amostras antes de retornar a Umbu.

À noite, fizemos nossa apresentação para um auditório lotado no CEFET, escola técnica de ciências agrárias em São Vicente. Tanto os alunos como os professores e o publico em geral, exprimiram sua vontade de lutar para a preservação do rio.

 
 
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