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Rio Miranda
27/03/07 Passo da Lontra
Brasil das Aguas
Encontro do rio Miranda, barrento, com o Salobra, de águas escuras. Foto Margi Moss
Hoje, finalmente, podemos colocar a lancha no rio! E teremos companhia, na forma de uma equipe da TV Morena, com a repórter Cláudia e uma lancha da policia ambiental. Descemos o rio juntos, falando com pescadores e ribeirinhos, e nos despedindo na foz do Rio Salobra, um belíssimo lugar onde as águas barrentas do Miranda encontram as águas escuras (mas transparentes) do Salobra. No Salobra, é proibida navegação com motor de popa de 2 tempos e a pesca em toda sua extensão, uma ótima iniciativa para a preservação. Quando chegamos ao local um pouco antes do barco da policia ambiental, havia alguns pescadores invadindo as águas negras e nem ligaram para nossa presença. Porém, ao ouvir a aproximação da lancha policial, todos tiraram as varas da água e se mudaram ligeiros para as águas do Miranda!

Com todas as paradinhas para filmagens, já eram 11 horas quando finalmente passamos em baixo das duas pontes (a de ferro e a da BR) na saída de Miranda e começamos a andar com plena potência. Todos nos deram informações diferentes quanto à previsão da nossa viagem. A intenção era chegar em Passo da Lontra, mas o rio tem muitas curvas, muitas mesmo. Alguns avisaram que somente até a Barra do Aquidauana (principal afluente do Miranda) levaríamos o dia inteiro.
Isso nos deixou preocupados porque o caminho até a foz ainda era muito longo.

Deixando Miranda, cruzamos com poucas pessoas - alguma casa de ribeirinho, algum pescador. A maior surpresa, e isso vale para toda a extensão do rio percorrido, é a limpeza das margens. Não vimos garrafas PET, nem latas, nem sacos plásticos boiando no rio. Tanto os ribeirinhos como as autoridades estão de parabéns para essa vitória.

Uma novidade para nós é o sistema de "pesca de galho de árvore" onde o pescador amarra a linha com a isca num galho e inevitavelmente pega algo. O profissional tem direito a 8 dessas varas, mas muitas vezes as piranhas ou os jacarés comem o peixe fisgado antes do pescador voltar.

A mata ciliar do rio era densa e completa com poucas exceções, e a viagem tranqüila. Alcançamos a Barra às 14.30, o Morro do Azeite às 16 horas, onde esperamos uma hora para um reencontro com Tiago e Pedro em vão. Encontrando o portão trancado, eles seguiram para Passo da Lontra, e sem conseguir contato com eles, nós também continuamos, chegando logo antes do pôr-do-sol. Tiago e Pedro estavam descendo o rio na canoa com gasolina, pensando que precisávamos de socorro.

Dormimos no que deve ser o hotel mais caro do mundo, na relação preço/serviço. Com um desconto ‘especial’, porque não ficaríamos para o almoço, cobraram ‘apenas’ R$90 por pessoa num quarto de beliches onde cabem 10 pessoas com um só banheiro. No preço normal de 120 por pessoa, ganham $1.200,00 reais por noite com o quarto cheio sem nenhum conforto (nem armário ou mesinha), e comida bem básica! É um garimpo de ouro nas margens do Miranda!

 
 
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