Ontem, quando pousamos em Vila Bela, Mario deixou cair que estava para chegar uma forte frente fria, com muita chuva, durante a noite. Naquele instante, ficamos muito preocupados: como tínhamos que estar de volta em Cuiabá até a noite para encontrar com a equipe e seguir para o rio Verde, não poderíamos arriscar de não voltar a tempo. Por outro lado, já eram as 4 da tarde, não havia como chegar a Vilhena (RO) antes do pôr-do-sol para reabastecer. Resolvemos deixar nas mãos do destino, porque realmente queríamos muito conversar com Mario e também conhecer um pouco dessa cidade extraordinária.
No nosso ultimo sobrevôo, em 2004, vimos claramente a ruína da imensa igreja no centro da cidade. Desta vez, levamos um susto ao vê-la escondido debaixo de um imenso telhado – mas entendemos logo que seria um grande esforço para protegê-la do sol e da chuva.
De manhã cedo, realmente pensamos estar presos no chão: a neblina cobria tudo, especialmente a bela serra Ricardo Franco do outro lado do rio. Mas, aos poucos, começamos a avistar essa serra e ficamos aliviados. Decolamos e fomos subindo o Guaporé. O tempo estava fechado, o rio sem cores, mas pelo menos conseguimos visualizar bem o trecho que navegaremos mais tarde. Na altura do encontro do barrento rio Cabixi com o Guaporé, uma camada de nuvens bem baixa fechou de vez a perspectiva de continuar seguindo o rio. Mas, sorte nossa, era precisamente até esse ponto que já tínhamos fotografado todo o rio, descendo desde a foz, em julho de 2006.
Seguimos diretamente para Vilhena para abastecer. A camada viajou conosco, fechando o aeroporto pouco depois de pousarmos. Duas horas mais tarde, conseguimos levantar vôo e aproar a nascente do Guaporé, na Chapada dos Parecis, para clicar as últimas fotos. Desviamos depois para tirar uma série de fotos das nascentes dos afluentes do rio Paraguai, um trabalho que realizamos a pedido da WWF. E, no final do dia, pouso final em Cuiabá.

