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Cortesia Hiparc

Rio Araguaia
17/6 Luciara
Brasil das Aguas
Crianças karajá brincando no Araguaia. Foto Margi Moss
São Félix do Araguaia (MT) - Luciara (MT)

Parece chato todo dia falar do céu azul, mas é algo que realmente nos impressiona. Brincando, todo dia digo "Hoje vai chover". É minha forma de vocalizar a certeza de que não chovera! A viagem até Luciara é curta, são apenas 69 km pelo rio. Num dia como esse, até é curta demais. Sempre, os membros da equipe que estão viajando pelo rio ficam com pena quando chegamos ao destino. O Araguaia é como um vício, a gente quer cada vez mais e mais!

Em Luciara, chegamos com tempo folgado para o almoço. Gérard e Rejane já chegaram no Talha-mar, já acharam 2 quartos na pousada da Solange, e como faltou espaço para Rejane, ela ficará hospedada na casa da Cláudia, secretária do Meio-Ambiente.

No final da tarde, vamos visitar a aldeia karajá São Domingos a 2 km de Luciara. O povo karajá são os donos originais dessas terras e agora, infelizmente, são reduzidos a pequenas comunidades vivendo à margem da sociedade branca, em situações de extrema pobreza. Estão perdidos entre dois mundos. Com toda razão, eles têm receio do mundo dos brancos mais são, compreensivelmente, atraídos por produtos que temos como biscoitos, doces, bebida, televisão. De certo modo, tentam manter alguns costumes ancestrais - fiquei contente de ver que, apesar da proximidade de Luciara, muitos dos adolescentes nesta aldeia aderiram ao costume de tatuar um pequeno circulo em cada bochecha. Optar para vestir a tatuagem da tribo com orgulho é um ótimo sinal.

O debate que seguiu a apresentação à noite, numa pequena praça na beira do rio, foi um dos mais animados, com participação ativa da população e depoimentos emocionados. Luciara sofre especialmente da predação provocada pelas chamadas 'caravanas', grupos de pescadores vindos de fora (Goiânia, Brasília, São Paulo) que se instalam em lagos da região e pescam, pescam, pescam.... não importa o tamanho dos peixes, vão enchendo os isopores e levam tudo embora. Uma queixa que ouvimos nessa cidade, como também em outras da região, é que essas pessoas que vem 'em caravana' (ou seja, vários carros juntos), nem trazem benefício para o comércio local, pois trazem toda sua comida e bebida de fora. O quadro é triste: essas pessoas mal gastam 5 reais na cidade, deixam pilhas de lixo espalhadas pelo local onde acampam e vão embora levando exagerada quantidade de peixe que, isso sim deveria ficar como sustento da população local.

 
 
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