A neblina novamente cobria a cidade. A nossa equipe tem mais uma pessoa: além da original (Gerard, Tiago, Pedro e eu) e Elesbão, agora chegou Mariza Beck, do Comitê da Bacia do Ibicuí baseada em Alegrete, que descerá uma parte do rio conosco também. É encorajador ver o desempenho desse comitê, tão entusiasmado e presente na realidade do rio.
De volta ao balneário Passo do Umbú, onde deixáramos o barco e a canoa do Elesbão, tivemos uma longa conversa com o Sr. Alvarinho, presidente da associação dos 200 moradores do local. Ele estava preocupadíssimo com a precariedade da ponte de madeira, onde imensas carcaças de árvores estavam encalhadas.
Enfim, começamos a navegação. Estávamos todos agasalhados. O sol ainda não tinha mostrado a cara. Seriam 70 km até o destino, Jacaquá, mas avançamos a uma velocidade bem reduzida para evitar o choque com os troncos submersos. Em vão! Acabamos arrebentando uma pá da hélice.
Lá pelas 11 horas, estávamos em pleno sol deslizando por um rio já bem mais amplo, belíssimo. Um espelho. Novamente com poucas exceções, a mata ciliar ainda estava bem preservada. Como em todo o percurso do rio, passamos constantemente por estações de bombeamento de água para a irrigação dos arrozais: algumas estavam abandonadas. Como o período da irrigação é de novembro a fevereiro, as bombas não estavam em operação. Em muitas fazendas, elas, e até os imensos transformadores nos postes de energia, são removidos nos meses quando não são utilizados devido a uma onda de roubo dos mesmos.
No encontro como o amplo Rio Santa Maria, vindo do sul do estado e passando por Rosário do Sul, o Ibicuí se torna um rio poderoso. Debaixo do domo azul do céu sem nuvens, cercada pelas matas verdes em cada margem, com os bancos de areia surgindo nas curvas e quase nenhum sinal de vida humana, poderíamos estar navegando num trecho remoto do Araguaia!
Na palestra na CEFET, o fazendeiro Gersan Campara nos convidara a almoçar ao passarmos em frente à sua fazenda na margem direita do rio, 30 km após a confluência com o Santa Maria. Um churrasco delicioso preparado por ele na beira do rio. A fazenda é um bom exemplo dos esforços cada vez mais comuns (e possíveis) na região realizados pelos produtores que jogam um papel importante para melhorar as relações entre a lavoura e o meio ambiente. Em vez de queimar madeira, Gersan inovou, utilizando gás na secagem do arroz.
O ‘desvio’ para o almoço nos fez demorar para chegar a Jacaquá, o balneário de São Francisco de Assis, distante 18 km da cidade. O lugar estava deserto. Após a complicada operação de tirar a lancha da água, chegamos na cidade depois do pôr-do-sol. Mal deu tempo para entrar no hotel antes de sair para o local da palestra.

