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Rio Grande
19/09 S. JOSE DO RIO GRANDE
Brasil das Aguas
Tirando o barco do rio Grande em São José. Foto - Margi Moss
Demoramos embarcar e sair de Barreiras. Havia mil coisas para a gente correr atrás, além de encontrar um lugar para soldar o gancho que segura o barco no reboque. Quebrara numa maldita quebra-mola mal sinalizada que pegamos em cheio na chegada em Barreiras no domingo à noite. Nisso, fomos ajudados por Marcelo Kuhn, que se juntou à expedição a partir de Barreiras, junto com Tainara Nogueira, estudante de biologia da UFB. Enquanto Gérard, Rejane e eu descemos o rio na lancha, Marcelo e Tainara acompanharam no Land Rover.

Finalmente, colocamos o barco no rio perto da primeira ponte. A água ainda é bastante transparente, mesmo no centro da cidade, mas começa a ser mais turvo devido ao esgoto jogado nela - 80% dos esgotos da cidade caem sem tratamento dentro do rio. A correnteza era muito forte, e logo no primeiro minuto, num momento de distração, batemos numa pedrona. Puxa vida, já? "Vocês vão quebrar várias hélices...!" nos tinham avisado. Mas não foi desta vez.

Primeira parada, o cais da cidade onde uma equipe da TV Tem (Globo) e outro repórter queriam gravar entrevista. Era meio-dia, num sol de rachar. Estávamos doidos para largar a 'terra firma' e ir descendo o rio. No início, tivemos que andar bem devagar, olhos grudados no fundo do rio, atentos para evitar troncos e pedras. Mas é daí que Barreiras ganha seu nome. A agitada navegação dos anos dourados nunca passou desse ponto.

Destino do dia: São José do Rio Grande, uma pequena cidade dentro do município de Riachão das Neves. A viagem levou quase 4 horas, paramos para conversar com ribeirinhos e pescadores. Ao chegar, lá estavam Marcelo, Tainara e o Land Rover nos esperando na beira do rio. Como nossos contatos foram através da prefeitura, em Riachão das Neves, ficamos meio perdidos ao saber que não existe nem hotel nem pousada em São José. Resolveram que fosse melhor, após a palestra, ir dormir num hotel em Riachão, a 27 km de distância.

Fomos convidados a deixar o barco na fazenda do sr. Agamemnon, onde também tomamos banho antes do show. A fazenda era um exemplo vivo daquelas que parecem em histórias de crianças, onde todos os bichos vivem na maior harmonia mas que eu sempre duvidava. Havia cães, galinhas, perus, patos, coelhos, galinhas de angola, pavões, vacas, cavalos e mulas, todos convivendo soltinhos numa boa!

Voltamos correndo para o centro da cidade, roxos de fome jantamos às pressas e fomos montar o datashow, projetando as imagens na parede da igreja. Para surpresa nossa, a multidão começou a comparecer, apesar da forte concorrência de uma banda na outra rua. O prefeito também veio de Riachão, e a participação ativa das crianças na palestra foi engraçada e gratificante.

Depois, cansados, encaramos a poeirenta viagem de meia-hora seguindo o prefeito até o hotel em Riachão, para susto da dona Cândida que não esperava visitas àquela hora.


 
 
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