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Rio Verde
22/5/07 Sorriso
Brasil das Aguas
A cara do rio Verde em quase toda sua extensão. Foto Margi Moss
A maior dificuldade que estamos sentindo no rio Verde é falta de informações! Fernando se ofereceu para mostrar uma rampa na fazenda dele, 37 km distantes de Lucas, onde podemos descer a lancha – mas a grande dúvida é onde vamos conseguir tirá-la da água.
Temos que decidir entre usar a canoa pequena, muito mais lenta porém mais fácil de tirar do rio, mesmo se tivesse que carregar barranco acima... ou arriscar com a lancha maior, chegando ao destino bem mais cedo. Sabemos, das fotos aéreas que tiramos e também das nossas consultas no Google Earth, que existem várias pontes pelo caminho, a maioria de madeira, uma nova de concreto e uma balsa. Porém, ninguém em Lucas pode confirmar essas informações. Resolvemos arriscar e ir de lancha, com algum receio sobre a possibilidade de encontrar corredeiras.

O rio continua belíssimo – a mata densa em cada margem, as águas esverdeadas fazendo jus ao nome. Conseguimos navegar tranquilamente, passando corredeiras insignificantes, e marcamos encontrar com Tiago e Eduardo no carro na ponte de concreto na nova estrada asfaltada que liga Sorriso a Ipiranga do Norte. Sendo nova, torcemos que ali poderíamos facilmente tirar o barco.

Mas foram muitas curvas de rio! Levamos quase 5 horas para alcançar a ponte onde havia muitos insetos, dois pescadores e nenhuma possibilidade de tirar a lancha! Em Ipiranga, Tiago tinha se informado com respeito à balsa, na estrada que liga a cidade a Sinop, mas sem poder saber se estava operando ou não. O risco seria ele chegar com o carro num lado do rio e encontrar a balsa encalhada, atrapalhando a saída da lancha e obrigando a fazer um enorme desvio para chegar ao outro lado. Apesar de serem apenas 60 km de estrada de terra, o caminho foi muito ruim e até chegamos de barco primeiro. Tínhamos navegado 190 km e já era o final da tarde.

Agora começou uma aventura pior... estávamos a 40 km de Sinop por uma estrada que variava aleatoriamente entre asfalto e terra esburacada. Depois, tivemos que atravessar a cidade (onde não há placas) para pegar a terrível BR-163 para Sorriso. À noite, estrada cheia de caminhões, sem encostamento e com buracos bem piores que as estradas de terra. Foi um pesadelo e chegamos atrasados para nossa palestra em Sorriso... onde 5 canais de TV esperava para fazer entrevista. Mas foi muito gratificante, em cada evento acabamos conhecendo as peculiaridades de cada local e os esforços para se enquadrar ambientalmente. Cada vez que a gente se surpreende com alguma coisa, vale lembrar que tudo o que estamos vendo nessa região é novíssimo – há 20 anos era mata pura. Novos municípios e cidades vão brotando a cada ano e, por isso, é possível começar com o pé certo.

Depois da palestra, roxos de fome, fomos com Fabiano ao restaurante comer matrinxã grelhado. Que delícia esse peixe – o salmão brasileiro, só que muito melhor!

 
 
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