Era programado para hoje um passeio de barco no rio Uruguay. Cancelado: chovia. À tarde, então, Tiago e Elesbão foram, com Ariel e Diego, a Gualeguaychú, em frente à cidade uruguaia de Fray Bentos, para ver “de perto” a construção da polêmica “papelera” da empresa finlandesa Botnia. A ponte que atravessa o rio Uruguai nessa localidade – a mais importante dos três que cruzam o rio - está permanentemente fechada pelos argentinos em protesto contra essa construção.
Num bate-papo com os piqueteros, conseguiram uma liberação para atravessar a ponte e dar uma olhada mais de perto na ‘obra’, mas na condição que não parassem de jeito nenhum e voltassem logo.
A fábrica vai ser a maior planta de celulose do mundo, produzindo pasta de celulose a partir de eucalipto plantado em milhares de hectares do campo uruguaio. Apesar dos protestos dos vizinhos argentinos, preocupados com a poluição do ar e das águas, a instalação continua a passo acelerado. O mais estranho é que o local escolhido fica nem 5 km rio acima da cidade de Fray Bentos. Terá seu próprio porto para carregar os produtos diretamente nos navios para seguir rumo ao exterior.
A indústria de celulose e de papel é altamente poluentes, especialmente quando se trata de branquear o papel – o que a Botnia alega que não vai fazer. A outra papelera que está se instalando muito próximo, da espanhola ENCE, anda mais lenta. Só podemos torcer que a empresa realmente esteja fazendo tudo, e mais um pouco, para evitar contaminação de qualquer tipo. Muitas vezes, apesar de existir controles rígidos no exterior e até a tecnologia de ponta para reduzir a um mínimo o dano colateral de uma instalação desse porte, ao construir fábricas em países do terceiro mundo, desesperados para receber investimentos e geração de empregos, não são aplicados com rigor os mesmos cuidados que ‘em casa’.
Depende agora da conscientização da população local e sua disposição de correr atrás para impor todos os meios de despoluição conhecidos e garantir sua própria qualidade de vida no futuro em ambas as margens do rio Uruguai.
À noite, demos nossa palestra em portunhol na Universidade, onde há um grande carinho pela língua portuguesa. Sentimos que há uma carência de informações e ações na Argentina com respeito à poluição das águas. Esperamos ter inspirado pelo menos os presentes na platéia a buscar uma mudança de atitude na população em geral em prol de suas águas.
Agradecemos o convite do Dr Vega, através do fotografo português/moçambicano Jaime Alves, para palestrar na universidade. Jaime está construindo com suas próprias mãos o barco “Guarda-rios”, para navegar nos rios atrás da avifauna, que é sua paixão.

