O primeiro dia que não estamos navegando no rio... e o céu ficou nublado e chuvoso! Sem problemas, agora pode chover à vontade!
Partimos os três, Tiago, Elesbão e eu, rumo a Concepción del Uruguay. Em conversas na véspera com uruguaianenses, ficamos sabendo que havia uma lista de exigências para dirigir um carro brasileiro na Argentina, e a policia se especializa em parar veículos com placa brasileira para tirar uma “mordida”. Roberto e Mariza, do Comitê da bacia, tinha me levado ao consulado para termos a lista mais atualizada. A lei argentina obriga a obtenção do seguro chamado “Carta Verde”, o porte de dois triângulos e um treco chamado Barra de Remolque, um pedaço de ferro vagabundo que supostamente serve para rebocar algum carro que pifou pelo caminho!
A vocação da policia rodoviária argentina em visar carros brasileiros é tamanha que, ao encontrar um motorista com todas as exigências em ordem, passam a cobrar o porte de um lençol branco, para eventualmente cobrir algum corpo que o viajante encontre pelo caminho! Esse fato é tão conhecido que no papel timbrado que o consulado argentino nos entregou, havia a seguinte frase em negrito para mostrarmos a um policial que passasse a demandar esse dito cujo. “No existe en la legislación argentina alguna, el requisito de llevar uma sábana blanca o ‘mortaja plástica”.
Para chegar a Concepción del Uruguay, tínhamos duas opções. Ou atravessar a fronteira Uruguaiana/Paso de los Libres e descer pelo lado argentino, ou ir até Barra do Quaraí e descer pelo lado uruguaio, atravessando o rio Uruguay na barragem de Salto Grande ou na ponte de Paysandu/Colón. Sabíamos do risco de ter algum atraso devido a piquetes nas pontes, protesto dos argentinos contra uma imensa papelera, fábrica de celulose em construção na cidade uruguaia de Fray Bentos. Optamos por este caminho, livre de caminhões.
E assim foi mesmo! A estrada é um tapete. Chegando em Salto, almoçamos no centro histórico da cidade e fomos até a ponte saber se haveria condições de passar. Negativo. A ponte ficaria fechada até meia-noite, quando os piqueteros voltariam pra casa dormir. A alfândega informou que a ponte de Paysandu abriria mais cedo, às 22h.
Perfeito, resolvemos continuar a descida. Tanto o campo como as cidades no Uruguay são um espetáculo, limpíssimos, bem cuidados. No capricho. Ficamos de bobeira na cidade de Paysandu até abrir a ponte pontualmente às 22h, e atravessamos para o lado argentino. Faltavam 45 km para alcançar Concepción, numa estrada sem sinalização, escuro, chovendo e muitos caminhões. Foi um alívio chegar no hotel.

